30 de março de 2010

ENTRE ASPAS


Os imorais se chocam por nós, / Por nosso brilho, nosso estilo / Nossos lençóis. / Mas um dia, eu sei, a casa cai / E então a moral da história / Vai estar sempre na glória de fazermos / O que nos satisfaz...

(Z. Duncan)






Sou professora e vou morrer professora. Sou pensadora. O que não faz nem nunca fará de mim um ser celestial.

SEI LÁ

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
 
[Fernando Pessoa - ODES DE RICARDO REIS]
















10 de março de 2010

A "XAVE" DA GRAMÁTICA




Foi diante de 50 ou 60 passageiros de um trem metropolitano (boa parte de pé) que dois homens de idade, com grandes vincos no rosto, resolveram puxar uma conversa:

- Olha, tão dizendo que teu pai tá te esperando na Lapa, é melhor você ficar ligado
- Rapaz, isto aqui tem nota viu. Eu mostro se ele quiser desembrulhar o pacote.


O diálogo acima retratado envolve dois vendedores ambulantes de São Paulo que, por estarem trabalhando na clandestinidade, precisam cifrar a conversa para despistar a fiscalização (pai).



‘’Enquanto existirem grupos e classes, existirão também gírias e calão’’. Ariel Tacla, autor do Dicionário dos Marginais, justifica assim o motivo de sua obra, publicada no longínquo ano de 1981. Engenheiro e filólogo, ele aproveitou a aproximação que teve junto ao Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro, do qual foi diretor, para reunir em livro uma amostra do rico jargão criado pelos detentos:

Desengoma a culatra esquerda daquele otário, que eu vou mandar ele de passage Tradução: Desabotoe o bolso traseiro da calça daquele sujeito,que eu vou lhe roubar a carteira, de passagem.

Solta essa grinfa, que dona Laura tá nas boca de carango. Tradução: Solta essa mulher que a polícia tá rondando de automóvel.


Ariel acredita que a gíria é uma espécie de caricatura do português ‘’padrão’’, criado e mantido pela elite. A fúria do preso se concentra na criação de novas palavras, expressões e significados sobre aquilo que a ele é imposto como a norma padrão da língua.

São nesses redutos, nos agrupamentos sociais à margem dos centros econômicos das grandes cidades lusófonas que a língua portuguesa respira, renasce e se expande. Mas o choque cultural com os homens de terno e gravata é inevitável. E aí que temos uma guerra, ou então uma treta: rola à vontade o preconceito cultural sobre a língua do pobre. Ele é subestimado, inferiorizado e taxado de burro e ignorante, pois ‘’menas coisas’’ está errado. ‘’É um assassinato à língua portuguesa’’, dizem eles.

Mesmo assim, os estudos lingüísticos mostram que a cultura popular sempre ganha, mas sempre precedida, é claro, de uma briga de foice. Pelo menos no Brasil, ‘’menos’’ será trocado por ‘’menas’’ (mesmo que o Word insista em grifar em vermelho) daqui há algum tempo. Mesmo com as chacotas na novela, das piadas nos humorísticos da TV e no sorriso irônico daquele colega da firma. A língua é patrimônio do povo, mesmo com todas as interferências políticas e econômicas que recaem sobre ela.

O escritor Guimarães Rosa, por exemplo, ao publicar sua mais famosa obra, ‘’Grande Sertão, Veredas’’, foi duramente combatido por alguns críticos reacionários por deturpar a língua portuguesa com termos do português utilizado nos rincões brasileiros. No entanto, o que temos hoje são estes mesmos críticos (com nomes diferentes , é verdade) colocando o escritor no mais alto altar da literatura em língua portuguesa. Nada mais tradicional no Brasil do que tratar, com tradicionalismo, a nossa flor do Lácio, inculta e bela.

Mexer no calo que já se acostumou com o sapato pode doer muito. Mas chega uma hora que é inevitável: ele terá de tirar o sapato e cheirar o xulé. Aí então ele vai ter de aprender que o odor ruim sentido pelo nariz dele pode ser um adocicado perfume francês para o resto povo. Rendido aos fatos, ele vai ter de aprender a fórmula do xulé , engarrafar o cheiro em finos frascos e mudar a noção de fedor de toda a sociedade.



A língua portuguesa passa todos os dias por este mesmo processo. Às vezes o problema não é o cheiro e sim o nariz...


e como está o seu nariz?!


3 de março de 2010

THE SMITHS

Para escutar bem ALTO.




Pergunta?



Loucuraaaaaa



PARA TE COMER MELHOR

 

Esta é de fato linda!

 

METONÍMIA

"Desconfie dos atalhos se estiver com pressa de ser feliz.
É mais rápido ir devagar."

Não sei de quem é...


Mas sou a própria Metonímia!


...


"Sabia também calar-se para não se perder em palavras" (CL)



ROUBEI PORQUE PARECE MEU



"Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. (...) Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou."


 (M. de Queiroz)





Roubei porque parece meu.



2 de março de 2010

PARA TE COMER MELHOR - MARTHA MEDEIROS

TIRE-O DA CABEÇA
14 de setembro de 1998


Você estava apaixonado por alguém e levou um fora. Acontece mais do que acidente de avião, desastre com romeiros e incêndio na floresta. Corações partidos é o grande drama nacional. O que fazer? Ainda não lançaram um manual de auto-ajuda que consiga eliminar nossa fossa, e dos amigos só podemos esperar uma frase, repetida à exaustão: tire esse cara da cabeça. Parece fácil. Mas alguém aí me diga: como é que se tira alguém de um lugar tão cheio de mistérios?

Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto: não gosto mais dele, não quero mais saber daquele prepotente, desapareça, um, dois e já!

Parece que funcionou. Você sai na rua para testar. Sim, você conseguiu: olhou vitrines, comeu um sorvete e folheou duas revistas sem derramar uma única lágrima. Até que começa a tocar uma música no rádio e desanda a maionese. Você não tirou coisa alguma da cabeça, ele ainda está lá, cantando baixinho pra você.

Táticas. Não ficar em casa relendo cartas e revendo fotos. Descole uma festa e produza-se para matar. Você bem que tenta, mas nada sai como o planejado. Os casais que se beijam ao seu lado são como socos no estômago. Você se sente uma retardada na pista de dança. Um carinha puxa papo com você e tudo o que ele diz é comparado com o que o seu ex diria, com o que o seu ex faria. Chamem o EccoSalva.

Livros. Um ótimo hábito, mas em vez de abstrair, você acha que tudo o que o escritor escreve é para você em particular, tudo tem semelhança com o que você está vivendo, mesmo que você esteja lendo sobre a erupção do Vesúvio que soterrou Pompéia.

Viajar. Quem vai na bagagem? Ele. Você fica olhando a paisagem pela janela do ônibus e só no que pensa é onde ele estará agora, sem notar que ele está ali mesmo, preso na sua mente.

Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. Com fórceps é que a criatura não sai.

(Martha Medeiros)





INTERROMPENDO AS BUSCAS

ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas ¿ sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.



(Martha Medeiros)

28 de fevereiro de 2010

MENINA

Nunca consegui engolir a finitude de quem amo. Nunca sonhei com minha imortalidade. No entanto, meu amor, nosso amor pelas pessoas, deveria ter o poder de lacrá-las em um manto de proteção e vida eterna verdadeira.

Me lembrei da morte dos meus avós... Aquele ritual da perda, da dor, do velar. Perdi-me naquelas imagens, de quando perambulei pelos túmulos discretos, lápides pequenas, nomes, datas de nascimento, de morte, fotografias antigas, outras novas, flores, muitas flores. Até que achamos. E nos fizemos em silêncio.

Mesmo após esses anos, ainda me sufoca ver a falta que minha mãe sente de minha avó. É absurda. É tão visível que sinto junto a minha saudade e a dela, entrelaçadas, engasgando garganta adentro, apertando o peito com vontade. E, me colocando no lugar dela, sofri de pensar de um dia ter que suportar a perda daqueles que me colocaram nesse mundo.

Alguns dias com eles - coisa constante, mesmo nesta correria, nessa distância nem tão "distante", nessa falta de tempo – no meu mundo, em minha casa, sempre a postos. E ao voltar há pouco, me bateu um sentimento sufocante de não tê-los mais aqui comigo.

Uma saudade prematura e quase infantil perturbando minha praticidade de quem mora sozinha. 


Hoje vou dormir menina.


AMIGO É COISA PARA SE GUARDAR...

Onde a gente bem entender!


...prontofalei, tofalandooo



Amizade é uma coisa rara. Não segue regras, não há preferências, não escolhe endereço. Também não tem idade. Posso ser muito amiga de uma pessoa que conheço há 20 anos. Mas não são os anos que determinam a qualidade de uma amizade, porque conheço outras há mais tempo que definitivamente não é a mesma coisa. Amizade é construção, sim, os anos de convivência valem pontos, mas o “timing” tem que estar lá como anos atrás. Assim como a sintonia que nos faz nos sentir à vontade para confessar bobagens, para se desarmar diante do amigo.

Amizade forçada não existe. Aquelas pessoas que fazem de tudo pra serem suas amigas, para que você confie nelas. Não acredito. Essas coisas repentinas: do nada aparece alguém te fazendo mil elogios. É batata: é roubada.

Minha falta de paciência com gente que concorda com tudo o que digo é justamente essa ponta de desconfiança. E sigo acreditando que quem gosta de tudo não gosta é de nada. Não adianta se mostrar com maturidade para alguém mais velho, que gosta de cinema para um cinéfilo, que entende de vinhos para um enólogo. Um dia a máscara cai e o ridículo não é o fracasso da tentativa de conquista, mas de se perceber uma pessoa sem personalidade, mesmo acreditando tê-la.

Amizade não precisa de provas, não precisa de alarde. Passei anos pra dizer “eu te amo” para meus melhores amigos. E o bom de tudo é que, mesmo antes disso, eles já sabiam.

O BICHO

(Foto: J.P Marins)


"Quem vem contar-me uma história
Dos meus tempos de menina?
Quando eu era pequenina,
A minha ama contava
Aquela história em que entrava
Uma menina e um papão.
Eu, ao ouvi-la, chorava.

A fábula é outra agora:
A menina já não chora
NO MEIO DA ESCURIDÃO.
QUEM TEM MEDO É O PAPÃO."
in, Rio de Nuvens (Natália Correia)





Quando li este poeminha, me deu uma vontade de escrever, quis falar também do bicho papão...
 
 
(Foto: Luis Pais) 

O bicho.

O amor perde-se em palavras. Por isso prefiro o silêncio. O amor se destrói com o descaso. Por isso, mergulho de cabeça. O amor transmuta-se sem o apelo do desejo. Por isso busco por prazer. O amor cansa quando vivemos só o outro. Por isso nunca deixo meus amigos.

Nunca gostei de regras. Mas, sem querer, me vejo com elas, minhas mesmo, guiando sorrateiramente meus passos. Então, me dando conta, dispenso todas elas; variavelmente, alternando, brincando, arriscando minha face. Nada disso me determina de maneira linear, fixa. Nem minha idade, sexo, nacionalidade, grupo social. Quem determina é ele. O amor.

Mas se é verdade que lhe dou tanta bola, também posso dizer que, morto, já não me serve no corpo, no peito, como se fosse feito sob medida como antes, bem antes, deixando-me leve, radiante. Ao contrário, me constrange, me inibe. Entristece-me, até, por suas mutações dentro de mim. O amor morto transforma-se em um alienígena, um estranho, algo fora do lugar. O amor é bicho papão!

O amor assusta. Até quando não existe mais...

19 de fevereiro de 2010

DAQUELE JEITO


O bom humor também tira férias.

Há momentos que o único pensamento é deixar tudo pra lá e zerar a vida. Zero quilômetro. Começo a partir daqui. Ausência de passado, de decisões passadas. De sentimentos já expostos. De fotografias tiradas. Nunca dei aquele abraço. Nem fiz aquela viagem.
(Mentira, dei o abraço sim! Mas não liga, estou daquele jeito.)

Para alguém que nunca teve grandes arrependimentos, estou me saindo uma bela covarde.

Às vezes a coragem pede trégua.
Me falta disposição pra provar o contrário.

12 de fevereiro de 2010

PARA TE COMER MELHOR: PEÇA - PELO CANO






Assisti no espaço cênico do Centro Cultural
a peça "Pelo Cano", Texto, direção e elenco:
Vera Abbud e Paola Musatti
Elas Produzem, dirigem e atuam:
Paguei para  ver e vi...

Apaixonante e muito engraçado!
Foi bom!!!

9 de fevereiro de 2010

LUCIDEZ SILENCIOSA

Hoje, sai para fora, isso mesmo "saiparafora", estou recorrendo ao pleonasmo vicioso sim, que mal há na redundância proposital?!

Peguei meu carro, sai de mim, ou entrei em mim, não sei qual foi a ordem, então digo somente que sai pela saída... fui pela Airton Senna, desembestei e fui á cento e vinte por hora, livre e solta, algumas ruas pequenas de acesso em Guarulhos, depois estradaaaaaa...


Tudo isso ao som de Queensryche - Silent Lucidity, música latente e suave... e eu cantando, cantando... e chorando, num mix como a caixa de Pandora, miscelânia ardida com a balada triste que dizia:

"Your mind tricked you to feel the pain
Of someone close to you leaving the game of life 
So here it is, another chance
Wide awake you face the day "


Puramente real, minha mente me enganou para que eu sentisse sofrimento, espertinha hein? acertou... quando eubotar as minhas mãos em mim, nem sei o que farei.


Parei de querer achar, que posso me boicotar, canto em silêncioooo...

"It's a place where you will learn
To face your fears, retrace the years"



Melodia belíssima, doídaaaaa e o gosto de sal na boca...

"I will be watching over you
I am gonna help you see it through
I will protect you in the night
I am smiling next to you, in Silent Lucidity"



Mas sorria e continuava a cantar!



Despertei...




Fotos retorcidas e desfocadas foram sendo tiradas, como se dizia antigamente, roubei almas...
Engraçado né?

Pegar aquele momento, o exato momento e prontocapturar a psy·khé!


Dirigia e capturava (...)

Fotos: by Kate Reis

Pensamentos soltos...

 tinham formas

nem o sinal vermelho, interrompeu... Não parei, sonhei


MY dream is over... or has it just begun?


tão real


duvido e faço pouco se ela estava preocupada com a água parada deste pneu


olhava tudo, tudo tinha movimento


chuva rápida se formou


trânsito, só aumentando o som mesmo, a vida é tão urgente... e eu parada


multicolorido


destorcida, estava a 80 km


pressa nem sei do quê?


na placa "boas noites"





P.S.: para ver as fotos em tamanho original, bastaUMclique






Repeti a música por muitas  VEZES...  é bom olhar para dentro e por dentro... repetidas vezes!!!

5 de fevereiro de 2010

AZAR?


Dá até medo de escrever essa palavra.
Vai que ela resolva grudar em mim, né?

Hoje eu vi uns caras consertando alguma coisa em cima de um poste e lá estavam eles, pendurados naquele instrumento comprido e duvidoso chamado escada - bem ao lado do meu carro, de forma que eu teria a opção de passar por baixo dela ou dar a volta ao seu redor.

Bateu então a dúvida e uma fração de minha personalidade foi repensada: afinal, eu não sou mesmo supersticiosa? Será que nem um pouquinho?!

E só reforcei o que já sabia: "Não, nem um pouquinho, com toda certeza." Fui logo fazendo o percurso mais rápido por debaixo daquele aglomerado de pauzinhos (bem firmes, espero).

Não consigo ver numa escada indefesa, e até bastante funcional, sua capacidade de formular situações para que algo tão subjetivo como o azar entre em ação.

Na verdade, me perdoem, não fiz uma pesquisa sobre a superstição e sua origem, mas leigamente falando, digo que para mim, azar se atrai passando por baixo de outras coisas e vivendo próximo a situações mais negras que os gatos mais negros do mundo juntos.

Para pegar um atalho rumo ao azar, se esquive das responsabilidades, desvie de verdades dolorosas e fuja de si o tempo todo - não tem erro, praticamente uma receita de bolo!

É esnobando problemas que se mergulha completamente neles; é evitando a vida que se vive o mais doloroso dela.

Estamos imersos num misto de azar e sorte.

Ora feliz, posso dizer que sou sortuda, a maior do mundo.
Ora nefasta, me rendo ao azar e vivo tormentos.

A vida é uma cadeira de plástico curvilínea e escorregadia que nos obriga a vigiar nossas próprias posturas o tempo todo - que é pra não deslizar, pra não cair. E ninguém pode manter a postura ereta por mim. É sempre um jogo do eu sozinho. Sou sempre eu com as minhas costelas.

Podemos lamentar e rir juntos (o que é ótimo e vive de bem com a sorte), mas sempre serei responsável pela minha cadeira. E você pela sua.

O pobre do gato preto não tem nada a ver com nossas escolhas.

Aliás, ele é lindo, exótico, arisco. Um belo animal. (Tudo bem você deve estar estranhando, afinal, odeio gatos! Mas o fato é que são belos, lindos mesmo, oras bolas, eu o odeio - mais eles são uns gatooos)

Portanto, tome tento à sua cadeira, por favor!


Escrito numa terça feira treze, á ultima do ano de doismilenove.



PLURAL


Sou um átomo borbulhante
ínfimo, explosivo, gigante, mortal e brilhante


sou uma esquisitice humana
aberração, gritaria, sujeira, a calmaria de um mantra


Sou  beleza ao avesso
lotada de organização interna, veias fluídas e órgãos pulsantes


Sou a embalagem da coca
recheada de mentiras, sustentada por ilusões, de felicidades efêmeras


Sou o pranto do velório
um escape pras lamúrias, uma fuga da rotina, a tristeza passageira e profunda

 
Sou um milhão de eus
e em todos eles, sou apaixonada por ser quem eu quiser ser e por estar onde quiser estar...

4 de fevereiro de 2010

DEIXA

... O COPO ENCHER ATÉ A BORDA


Que eu quero um dia de sol num copo d'água.
(Renato Russo)


NAFITALINA


[Ao som de Tiê, A bailarina e o astronauta.]



Percebo que a melhor maneira de não remoer o passado é desdramatizar algumas recordações e deixá-las viver no meio de alegria e, quanto mais tristes forem, mais alegria lhes ofereço. Por vezes, rio mesmo às gargalhadas na cara delas e, em piruetas, deixo-as com ar admirado e incrédulo. Saio a fazer sarcásticas graças, apertando meu coração para não chorar…


Esta também sou eu! uma artista de circo, tentando não cair do arame que piso mais ou menos em tremeliques, sem noção da distância ao chão. Por exemplo, deveria já ter tomado o meu banho, ido ao super mercado comprar comidinha, fazer uma sopita, comer e, só então estar aqui a escrever, ou a estudar, ou a ler, a pesquisar, sei lá… Mas não! Estou sentada ao computador, com o pé esquerdo pousado na cadeira, a olhar o mundo lá fora, cinzento, esta sol até a pouco, agora chove, na verdade chove muito e vejo-o agradavelmente belo, a chuva é linda. Os pássaros voaram, estão com medo da chuva grossa que cai toda torta por que o vento se interpõe e a leva também... O trovão GRITA alto!

Entendo o passar do tempo na agonia da recordação. Certo é que não entendo algumas melancolias, mas não me atormento mais, e já faz tempo. Deixei de pensar...  guardo tudo isso em baús que à falta de odiadas fechaduras, encerro com pregos possíveis de arrancar.

Náusea é a palavra adequada. Não gosto de olhar para trás, mas algumas recordações lutam desmesuradamente pela atualidade e vão-se escapando para o futuro, onde me surpreendem e mal coloco o pezinho nele.

Então eu deixo!, vou fazer o quê?
Agarrar nelas embrulhá-las num cobertor e deitá-las ao mar, agarradas a uma pesada âncora?

Sentirei a mistura do desespero de ser esquecida e a alegria de ser lembrada, sempre no silencioso grito, como se nada se passasse, tudo estivesse bem. E estava! E esta...

Tudo se torna fácil de relembrar, porque não esquecido, apenas não gosto de rever certo filmes, outros… o tempo se encarrega de repassar.

Aos poucos, por entre a música que ouço, vestida de doces recordações com cheiro de  nafitalina, cheia de mim, criança, adolescente e adulta... no desejo de viajar incessantemente para dentro, em vórtice enfraquecido, regressarei ao hoje que tudo encerra, mas a sorrir.
 
Sempre a sorrir...

Minhas Vogais e Consoantes são Altamente Inflamáveis e Ardidas