31 de janeiro de 2009

ESCOLHA...

Estranho é que eu não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, não lembro. Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza de gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer. O problema é que essa coisa talvez dependa de uma outra pessoa para acontecer.

.

Toque nela com cuidado. Senão ela foge.



- A coisa ou a pessoa?

- As Duas.





Pela Noite, Caio Fernando Abreu em "Triângulo das Águas"

29 de janeiro de 2009

DESLIGADO! AGORA SOMOS DUAS

E eu me desliguei daquilo. Sabendo que bastaria pensar que aquilo não era mais meu. Dissocia-lo de todo o resto que tinha como meu. Me desliguei como chocolate que comprei para mim, mas que com a barriga cheia resolvi dar para alguém. E alguém aceita, mas deixa guardado para comer depois. Pois é assim, guardamos chocolates para comer depois. Assim adiamos o doce. E eu me desliguei daquilo para ficar sem sentir nada. Nada de estranho. Coisa pequena, dessas que ocupa pouco espaço na mente e rende várias linhas. Linhas das quais eu já tinha me despedido. Linhas de fumaça que parecem que eu nao vejo. São batidas no teclado que imploram que a chuva volte. E eu continuo a repetir palavras, principalmente agora que elas são poucas. Palavras que me faltam. Vocês me fazem falta. E lá fora chove como nunca choveu antes. Pelo menos eu não vi. As pessoas correm, os carros alagam e eu me desliguei do chocolate que está na geladeira. Deve ser por que ele está na geladeira! Não gosto de chocolates na geladeira... Bem, me desliguei como quem se desliga de uma pessoa. Foi nesse tom. Sem música. Assim, frases pequenas que eu tenho.
...
Éramos Três...
.
.
AGORA SOMOS DUAS...
.
.
.
Mas não perdemos nada, houve somente Movimento...
E isso não é ruim.
.

VERDADE



.

Posso te ligar às vezes? Eu não quero incomodar. Eu juro. Mas é que chega uma hora em que a gente precisa dizer a verdade, porque a vida não dura pra sempre. E se amanhã eu não estiver mais aqui, quem vai dizer todas essas verdades? Verdades que vertem pra você e acabam sempre se perdendo no escuro. Você precisa ouvir, mesmo que eu queira isso como mentira. Tem muita verdade aqui que vai te incomodar, eu sei. Vai doer. Nunca é fácil. Pra mim também não é. Mas isso não significa que, por serem verdades pra mim, você precise torná-las verdades pra mais alguém um dia. Entende? Esse é todo o lado cool de se dizer a verdade. Assim você pode não repetir mais as mesmas verdades. Olha, quando eu te ligar, promete que vai atender. Não faz assim. Não dá pra fugir da verdade, ela sempre encontra a gente. E quando eu te disser tudo tudo, vai ser bem melhor. Pra nós dois. Você sabe que é verdade.

HARD THINGS TO SAY

"Eu sempre achei que o amor, que o grande amor, fosse incondicional, que quando duas pessoas se encontram, quando esse encontro acontece, você pode trair, broxar, azar... todas as porradas. Se for o grande amor, ele voltará triunfal, sempre.
Mas não. Nenhum amor é incondicional. Então, acreditar na incondicionalidade do amor é decididamente precipitar o fim do amor. Porque você acha que esse amor agüenta tudo. Então, de um jeito ou de outro, você acaba fazendo esse amor passar por tudo. E um amor não agüenta tudo. Nada nessa vida é assim. Daí, você fala que esse amor não tem fim para que o fim então comece.
Um grande amor não é possível. E talvez, por isso, seja grande.
Então, assim nele, obrigatoriamente, pode caber também o impossível. Mas quem acredita? Quem acredita no impossível que não apaixonadamente? Como a um Deus. Incondicionalmente."



.



Você

.

Em 2009, você quer independência. Isso é ter seu dinheiro? Ou é agir de acordo com sua cabeça? É hora de lutar por seu espaço em casa, com os amigos, com o namorado. Só não seja rígida com os outros. Cada um pensa de um jeito e isso precisa ser respeitado.
...

Eu

.

Em 2009
Eu quero que não me encham a p. do saco.
Isso é ser rica, gostosa e ir morar na Europa.
Isso é mandar o mundo se foder legal.


que fome!!!




AZEDA?! EU
Que nadaaaaaaa... rsrs

.



Se eu te falar assim "hoje, a única pessoa que eu não vou odiar é a minha mãe porque odiar a mãe é pecado", você acredita? Mas você tá sempre dizendo que ódio é uma coisa super barra pesada, que não se odeia assim da noite pro dia, que ódio é só pra gente amarga, que ninguém odeia ninguém, que é tudo uma questão de time. E isso é tão lindo: você tá sempre vendo um mundo paz amor e empatia tipo all you need is love. Uma vez você leu num livro e sussurrou pra mim o ódio tem melhor memória do que o amor e depois ficou no meu ouvido cantando love, love, love, love is all you need. Foi aí que eu percebi que sem você eu seria só ódio e você só amor. E isso não seria bom, nem humano. Porque assim, juntos, um vai ser sempre o fracasso do outro.


.

E eu que cansei da tristeza.


Mas de que adianta se ela insiste em me seguir.
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza de
“desinventar”.
.
Ah! Vão á merda todos...
Todos vocês, sem exceção!
Podem ir á merda sem mim...


.
Mais não precisam ir todos, só alguns...
Na verdade eu diria Poucos!
Pouquíssimos!

.

10 de janeiro de 2009

PALAVRAS NÃO MUDAM DE IDÉIA


Lágrimas falam mesmo!
Mas as palavras não mudam de idéia...
Lágrimas que estão escondidas no olhar
Quando rolam...
É a dor que já não dá mais para suportar.
Lágrimas que purificam e santificam
Vão dando força ao coração
Lágrimas doem pra valer
Mas sempre há de prevalecer
Toda a vontade do Amado
Da minha alma
Presente em minha Vida.
Os sonhos que não alcanço
Eu me pergunto: "Por quê Deus não quis?"
Mas sei que ele vê mais longe
E Ele sabe o que é Bom pra mim
E se eu chorar a noite inteira
Logo pela manhã o meu Senhor...
O AMADO da minha alma
As minhas lágrimas enxugará.
.
Engraçado! Mas não estou TRISTE não...

Hoje dei GRAÇAS á DEUS, mesmo que as coisas
Não estivessem tão ENGRAÇADAS assim.
Percebi que não tenho Nada á temer!
Por quê o Melhor de Deus ainda está por VIR...
Então NÃO TEMO mais...
ESTOU EM

MANIA DE EXPLICAÇÃO

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.


Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra. As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.

.
Solidão é uma ilha com saudade de barco. Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco. Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes. Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Renúncia é um não que não queria ser ele. Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe. Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Orgulho é uma guarita entre você e o da frente. Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja. Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro. Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho. Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia. Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa. Desatino é um desataque de prudência. Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Emoção é um tango que ainda não foi feito. Ainda é quando a vontade está no meio do caminho. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Desejo é uma boca com sede. Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?



Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a Menina.





.

PARA TE COMER MELHOR: Cecília Meireles



SONHOS DA MENINA



"A flor com que a menina sonha está no sonho?
Ou na fronha?
Sonho risonho:
O vento sozinho
No seu carrinho.
De que tamanho seria o rebanho?
A vizinha
Apanha
A sombrinha de teia de aranha . . .
Na lua há um ninho
de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho?
Ou a lua da fronha?"




.

PALAVRAS AO VENTO



A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso! Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa...

Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte.

Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra você` e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo".

Com D , se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o "então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo.

E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo...

F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas.

A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.

Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada.

O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira.

J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim.

L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.

M de "madrugada", quando vivem os sonhos...

N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro.

O de "óbvio", não precisa explicar...

P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou.

Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.

E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá.

S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca.

T é de "talvez", resposta pior que ´não`, uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... De "tanto", um muito que até ficou tonto... De "testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava em outro lugar.

U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado.

Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira.

E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.

Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro.


.

Adriana Falcão




.

9 de janeiro de 2009

"BUSH FU.. YOU!!!"

Não brinco com coisa séria. Criança tem que brincar com brinquedo. Ferramenta é coisa de adulto, pode ferir uma criança... A era digital quebrou esta regra e Leon, um menino de cinco anos gosta de brincar mas, já sabe o que é ‘ferramenta’ em inglês. Leon estuda inglês no pré-escolar e, por causa de um ‘portão zilionário’ – portão em inglês é Gate, disse o menino. No plural é Gates... Também sabe o que é tools e toy – brinquedo... Alguns adultos não sabem inglês. Pior, não sabem que crianças precisam brincar. Já foram criança e esqueceram que todo mundo tem infância. Há quem não tenha responsabilidade. Infância, todo homem tem. Criança gosta muito de brincar e precisa disto. Criança tem medo de fogos de artifício que explodem, feito bombas no ar. Deveríamos deixá-las brincar...Em paz!

Toda paz é igual". Mas tenho uma guerra só minha. Diferente da guerra de um vizinho, que grita e bate na mulher, todas as vezes que bebe. Isto me fez crer que se na paz há semelhanças, as guerras de cada um tem motivos particulares. Minha paz ainda não nasceu. Eu a venho arrancando a fórceps, nas faixas de gaza das guerras de mim. É uma guerra violenta que há anos eu travo comigo, em noites de horror em que suo e grito, com medo de monstros que estão escondidos, lá dentro de mim, prá que eu tenha paz. Minha paz. E penso que olhar o inimigo de frente, demanda coragem porque outro dia eu lhe vi a face e era eu inteirinha, guerreando comigo, na minha divisão. EU tenho a minha própria gaza... Uma de mim queria luxo. A outra, apenas ser simples. Uma queria as ciências a outra, poesia. Uma queria amar, a outra raciocinar. E eu me violento entre estes dois pólos, na impermanência de ser uma e outra coisa... E descobri que andando no meio, ‘bala perdida’ é difícil me alcançar... Nenhum homem bomba ou Hamas, palestino ou judeu, luta tanto como eu, comigo mesma, nas noites escuras... E dói. Morro prá depois renascer diferente. Isso me custa muito, ai de mim!
Não há luta intradérmica. O estrago é profundo, visceral. A batalha se dá nas cavernas do eu. Lá, eu me mato e me morro mil vezes, até encontrar a paz de amar. Cansei de lutar. Pensei que lutando esqueceria o amor, como amar e como amante, eu não seria mais humana. Se é no exercício que o pensar se faz rota e caminho, prefiro amar... Não quero ser nem ter uma razão estéril. Quero me emocionar e sorrir, com as crianças que brincam e que falam inglês.
.
A Milly me disse que brush, em inglês é pincel e Bush é o que?! Então tá né?! Para mim Bush significa Dog. Um dia grito sorrindo: "BUSH FU.. YOU!!!" ... Eu li Tolstoy faz dez anos. Eu não brinco com coisa séria!

Minhas Vogais e Consoantes são Altamente Inflamáveis e Ardidas